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Queria lembrar-se do nome de um perfume que usou por alguns anos e deu uma busca na Internet. A partir daí, toda publicidade embutida nos sites que visitava oferecia variadas fragrâncias.
Já conhecia isso, essa inteligência por trás de seus cliques que permitia ao computador aprender cada vez mais sobre seus usuários. 
Entendia o quanto ela tinha de benéfica, por facilitar algumas de suas pesquisas, reduzindo seu escopo a um universo de maior relevância a partir de seus históricos, mas estava desconfortável por sentir-se espionada e pelo bombardeio de propagandas especialmente desenvolvidas para ela, o que as tornava muito mais tentadoras.
Por mais que compreendesse tratar-se de um simples recurso computacional para viabilizar o custeio de serviços gratuitos absurdamente úteis como o dos sites de busca ou as redes sociais, começou a se preocupar, quando observou que o fenômeno se verificava, também, a partir de suas transações fora do computador: uma compra numa loja de departamentos ativou os mesmos gatilhos que suas consultas no Google. Tentou tranquilizar-se considerando que o uso de cartão de crédito poderia ter sido o causador dessa ativação do inquietante sistema. Para confirmar, ressuscitou o velho talão de cheques para comprar a raquete nova. Logo, pululavam em seus acessos, anúncios de roupas, calçados, bolinhas e demais acessórios para a prática do esporte.
Ligou para a empresa que fez a venda, para questionar o vazamento de seus dados, mas foi atendida por um computador. Deu-se conta que, ultimamente, eram mesmo as máquinas que realizavam a maior parte dos atendimentos ao cliente, resolvendo a maior parte do problemas deles, restando aos humanos apenas aquelas situações realmente muito complexas.
Lembrou-se dos filmes de ficção, em que computadores superdesenvolvidos dominavam tudo, tomando decisões que culminariam com o fim da espécie humana.
Deu de ombros. Que seja! Do jeito que anda o mundo, melhor uma inteligência artificial do que essa burrice coletiva que se tornou tão natural. E clicou no link que lhe oferecia lindas saiinhas que combinariam bem com a sua bela raquete nova.

 
Este texto faz parte do Exercício Criativo - Inteligência Artificial
Saiba mais, conheça os outros textos:
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Nena Medeiros
Enviado por Nena Medeiros em 11/03/2019
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