Textos


Quintana, a Lua e Nós

"Que haverá com a lua
que sempre que a gente a olha
é com o súbito espanto da primeira vez?"
Mário Quintana

Hoje às três da manhã, a lua ficou, oficialmente, cheia. Eu, que sou pouco dada à oficialidade das coisas, preferindo sempre o pulsar do coração às regras e leis, venho admirando seu inchaço já há alguns dias. Ontem mesmo, ela estava fabulosa, mesmo que tímida entre nuvens.
Deixei-me seduzir por seu brilho a iluminar as noites, seu formato esférico imperfeito em forma e cores, sua beleza. Pouco importa que seu clarão não lhe pertença. Ela se apropria com tal delicadeza do fulgor solar e, com ele, nos banha tão serenamente, que enche de poesia minhas noites sem estrelas.
Impossível não lembrar que somos assim também: cheios de falhas e dependentes de um ser maior a nos luzir.
E, tal qual a majestosa lua gorda, que ora se apresenta no céu, as pessoas são fascinantes e belas e mágicas. E capazes de, numa única aparição, deslumbrantes, mudar e encantar a vida de um romântico ser, que se deixa ficar, hipnotizado, tolo e enamorado, num suspiro a lhe admirar.
Como você faz comigo.

*****
A foto, tirei com a câmera do celular, o carro encostado no meio fio, simplesmente porque não poderia seguir meu caminho sem registrar essa beleza.

Nena Medeiros
Enviado por Nena Medeiros em 15/03/2010
Alterado em 15/03/2010
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Peço citar a autoria "Nena Medeiros" e o endereço do texto.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários